Pilhagem, perversidade, ilegalidade

Capital fechou a <i>Rohde </i>

Os trabalhadores, empurrados para um beco sem saída, votaram contra o plano da administração da insolvência, que apontava para a liquidação da Rohde, mas estava tudo decidido.

Os trabalhadores votaram contra o plano de liquidação

Numa nota da Comissão Concelhia de Santa Maria da Feira, o PCP chama a atenção para um pesado rol de factos, em torno da assembleia de credores da fábrica de calçado Rohde, realizada no dia 4. Os comunistas contrariam o modo como foi apresentado o resultado final (o voto dos trabalhadores teria determinado o encerramento da empresa) e denunciam um plano «maquiavélico». «Estava tudo decidido, conforme os ditames do capital, sem que o Governo mexesse uma palha para defender o interesse nacional, e com a colaboração do sindicato» do sector, afirma-se na nota divulgada dia 6 e publicada no site da Organização Regional de Aveiro do PCP.

Primeiro, o Partido recorda que a Rohde teve «uma gestão de rapina permanente», que conduziu ao seu progressivo desmantelamento e asfixia: «os lucros foram expatriados em massa, a produção deslocalizada em busca das mais altas taxas de exploração, os apoios e fundos do Estado e comunitários “engolidos” sem os indispensáveis investimentos, e os lay-offs, os despedimentos, os baixos salários e o desrespeito pela lei e pelos direitos dos trabalhadores assumidos como instrumentos de gestão corrente». Foi um «pilhagem sem peias», «intrinsecamente ligada à política de direita de sucessivos governos do PS, PSD e CDS, agravada pelo actual executivo».

O processo, mais recente, de liquidação da empresa «assumiu contornos maquiavélicos, visando garantir os lucros do grupo alemão», com a gestão a procurar «não pagar as dívidas, nem cumprir as obrigações legais para com os trabalhadores (parcialmente transferidas para a Segurança Social) e rentabilizar ao máximo em seu proveito o respectivo património».

O Governo, a gestão da Rohde, a administração da insolvência e o executivo municipal, «agindo de facto em conluio», tudo fizeram para protelar a decisão em assembleia de credores, esperando «a exaustão dos trabalhadores, esmagados por meses de desestabilização, sem meios para continuar a resistir, “vencidos pela fome”, divididos e desorientados por manobras e mistificações, “propostas de viabilização” perversas e inaceitáveis, e pelo evidente demissionismo e colaboracionismo sindical».

 

Planos absurdos

 

A Concelhia salienta que «os trabalhadores da Rohde sempre estiveram contra a liquidação da empresa» e, «sem outro apoio para além da intervenção do PCP» sempre rejeitaram os diversos planos da administração da insolvência, que «pretendiam, por absurdo, que fossem os próprios trabalhadores a decidir a liquidação da empresa, o fim dos postos de trabalho e o não pagamento de parte dos seus direitos».

Como se sabia que esse plano não teria os votos dos trabalhadores, foi gizado «um maquiavélico “beco sem saída”», que consistiu em que «o voto contra o plano de liquidação da empresa teria como resultado a mesma liquidação da empresa (sem plano)».

«Mas a tramóia era completa», como se viu no final da assembleia de credores. O PCP refere que, para representante dos trabalhadores na Comissão de Credores que irá gerir a liquidação, a administração da empresa e o Sindicato do Calçado apoiaram o mesmo candidato, um alemão que foi director da Rohde. Os trabalhadores, «enfrentando a pressão do sindicato, derrotaram a manobra e deram a maioria a um outro candidato, de facto trabalhador e independente», mas seguiu-se «uma inaceitável chapelada eleitoral»: a votação individual por voto secreto foi transformada numa votação em que os votos valeriam conforme o montante da dívida, «coisa que ninguém controlou ou verificou», e «a vitória foi atribuída sem qualquer legitimidade ao alemão que tinha perdido a votação real». Para o PCP, estes factos têm «contornos de ilegalidade» e mereciam investigação judicial.



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